quarta-feira, 30 de novembro de 2016


O DIA QUE NÃO TERMINOU

A história começa numa segunda a tarde, onde tudo parece normal, todos parecem fazer o que sempre fizeram, os procedimentos parecem estar dentro do conforme, mas não sabem que mais adianta se iniciaria o dia 29 de novembro de 2016, o dia quem não terminou.
O dia que levaria para um segundo plano 71 pessoas que faziam do esporte suas vidas. Que ironia, suas vidas, pois mudaram de plano justamente por aquilo que os fazia sentir vivos.
Cada um com sua história, cada um com seus sonhos, cada um com seu desejo de vencer, mas todos com o mesmo destino.
Nessa hora não importa mais que teve culpa, quem deveria ter ido e ficou, quem deveria ter ficado e foi. O que fica é que todos, de uma forma que nós aqui embaixo não sabemos, tinham suas vidas interligadas e tinham que passar esse último momento juntos.
Uma história que começa em Chapecó, mas que se espalharia pelo Brasil, agregando pessoas para fazerem parte do momento mais marcante do esporte mundial. Todos, direta ou indiretamente, foram atrás de uma taça, mas mal sabiam eles que encontrariam algo muito maior.
Tudo passa, mas 71 pessoas mudaram, nem que seja por algum tempo, o modo de ver o mundo. Mostraram que ainda há solidariedade, que ainda há companheirismo, que ainda há gente de carne e osso.
Como escreveu um anônimo, a Chapecoense subiu da D para a C, subiu da C para a B e subiu da B para a A e subiu tão alto que chegou ao céu. Como não lembrar de Caio Junior, Bruno Rangel, Kempes, Ananias, Danilo, Cleber Santana, Gil, Lucas Gomes, Thiego, Josimar e todos os outros membros da Chapecoense; como não lembrar do polêmico Delfin de Pádua Peixoto Filho, como não lembrar de Mário Sérgio, Paulo Júlio Clement, Vitorino Chermont, Giovani Klein, Guilherme Marque e todos os outros profissionais de imprensa.
Semanalmente eles entravam nas nossas casas e nós já estávamos acostumados com eles. O que eu faço agora?
Enfim, como diz o trecho da música dos Detonautas escrita abaixo, eles vão acordar de uma situação que parecia o fim para um novo recomeço e vão pensar:

“Me sinto tão estranho aqui, que mal posso me mexer irmão;
No meio dessa confusão, não consigo encontrar ninguém;
Onde foi que você se meteu, então?
To tentando te encontrar;
To tentando me entender;
As coisas são assim.”

Deus espera vocês. Parabéns pelo tempo que estiveram por aqui




*Esse texto foi publicado no mesmo horário que deveria começar o jogo do Atlético Nacional (Col) X Chapecoense (Bra).

sexta-feira, 4 de novembro de 2016



AGORA É 2018

Todos os presidentes estaduais de partidos políticos, após as eleições municipais, dizem que a eleição que passou não tem nada a ver com a sucessão de 2018. Mas não é bem assim, principalmente nas maiores cidades de Santa Catarina. Cidades como Florianópolis, Chapecó, Criciúma e Joinville aparecem como os QGs centrais dos mandatários das próximas candidaturas, no caso o Governador Raimundo Colombo e o deputado estadual Gelson Merísio, do PSD, e o vice-governador Eduardo Pinho Moreira e o deputado federal Mauro Mariani do PMDB.

QUEM VENCEU

Sem dúvida que o maior vencedor da eleição municipal em SC em 2016 é o PMDB, que aumentou o número de prefeituras no estado e venceu nas cidades de Florianópolis, Joinville e Itajaí e ainda fechou acordo com o PSDB em Blumenau, onde apoiou o prefeito Napoleão Bernardes.


QUEM PERDEU

Os maiores derrotados nesse ano foram o Governador Raimundo Colombo e o deputado estadual Gelson Merísio, articuladores das candidaturas de Darci de Matos (Joinville), Ângela Amin (Florianópolis) e Jean Kuhlmann (Blumenau). Perderam nas três, tendo êxito apenas nas regiões Oeste e no Planalto Serrano, suas regiões de origem. Ficaram enfraquecidos no Vale do Itajaí, Sul do estado e Grande Florianópolis.

ACORDO

O Presidente estadual do PSDB, deputado Marcos Vieira, afirmou logo após o fim do segundo turno que não tem acordo com ninguém para 2018 e que a prioridade do partido é uma candidatura própria nas próximas eleições.
A coisa não é bem assim, pois houve troca de gentilezas em Blumenau, onde o PMDB apoiou Napoleão Bernardes, e em Florianópolis, onde o PSDB apoiou Gean Loureiro.
A estratégia é a mesma de 2002, quando o PSDB deixou a base do governo de Esperidião Amin e foi apoiar Luiz Henrique da Silveira, sendo o fiel da balança naquela eleição. Na época, o presidente era o atual Senador Dalírio Beber e PMDB e PSDB continuam juntos até hoje.

MOBILIZAÇÃO

Agora as conversas começam a acontecer na Assembleia Legislativa para a costura de acordos para a sucessão do Governador Raimundo Colombo. Se a eleição fosse hoje, teríamos como prováveis candidatos o Deputado Estadual Gelson Merísio pelo PSD, apesar de ter uma ala que queira outros nomes como o dos Deputados João Rodrigues e João Paulo Kleinubing. Já no PMDB os nomes que aparecem na ponta são do vice-governador Eduardo Pinho Moreira e do Deputado Federal Mauro Mariani, mas Dário Berger corre por fora. No PSDB Paulo Bauer, que mostrou pouca força em 2012, também anda forte, assim como do Senador Dalírio Beber, que prefere colocar seu pupilo, o Prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes, como uma nova opção dos tucanos.

O PP parece ter como única opção o Deputado Federal e ex-governador Esperidião Amin; o PSB tem como opção mais oxigenada o prefeito eleito de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira, mas ele não irá pensar em outra opção senão administrar a cidade do litoral, sobrando para Paulinho Bornhausen assumir, se for o caso, essa candidatura. Mas Paulinho Bornhausem deve mesmo lutar por uma candidatura a vice em uma chapa com um dos grandes. O PR tem como nome forte o Deputado Jorginho Melo, o PDT tem o deputado estadual Rodrigo Minotto e o PCdoB deve insistir com Ângela Albino. PSOL e Rede estão, aos poucos, ocupando o lugar do PT numa ala mais esquerdista e podem surpreender.

Já o PT, que foi o grande derrotado no Brasil, está entre a cruz e a espada, pois não tem um nome de peso capaz de despertar a vontade das demais coligações e também de conseguir uma votação expressiva numa eventual candidatura própria.
Aliás, internamente, o PT sofre com a articulação de alguns políticos com mandato para a criação de um novo partido para poderem sobreviver em 2018, pois ninguém quer ter a obrigação de levar Lula nas costas como candidato a presidente em 2018. O importante é que o cenário político, a partir de janeiro de 2017, começa a ferver, pois a Lava Jato pode e deve mexer com o atual cenário porque muita gente terá que se explicar para o Juiz Sérgio Moro e para o STF.